Jornada de 30 dias
Raiva
Se a raiva tem tomado conta de você, com explosões, palavras que ferem ou rancor guardado, você não está sozinho. Esta jornada propõe 30 dias, um passo por dia, com a Palavra de Deus e ações práticas para lidar com a raiva de outro jeito. Sentir raiva não faz de você uma pessoa má; o caminho é aprender o que fazer com ela.
Reconhecer os sinais e os gatilhos da raiva e aprender a responder com calma, mansidão e perdão, sem ferir os outros nem a si mesmo.
O que esperar dos 30 dias
Todos os dias: Palavra, Reflexão, Ação e Oração, de 2 a 5 minutos.
Consciência (Dias 1 a 5)
Olhar com honestidade para a sua raiva, entender a diferença entre a ira justa e a explosão, e o preço que ela cobra.
Gatilhos (Dias 6 a 10)
Perceber o que acende a raiva: a pressa, feridas antigas, a sensação de injustiça e os pensamentos que alimentam o fogo.
Interrupção (Dias 11 a 15)
Criar uma pausa antes de reagir: ouvir mais, falar menos, calar e responder com brandura.
Substituição (Dias 16 a 20)
Trocar a amargura por mansidão, bondade e reconciliação.
Disciplina (Dias 21 a 25)
Treinar a calma no dia a dia: deixar passar ofensas, resolver brigas antes de dormir e guardar a boca.
Prevenção (Dias 26 a 29)
Pensar antes de responder, evitar a briga e saber reparar e perdoar depois de uma explosão.
Continuidade (Dia 30)
Ver o que mudou na forma de lidar com a raiva e decidir como seguir revestido de compaixão.
Gatilhos mais comuns
Gatilho é o que costuma disparar a luta: uma situação, um horário, uma emoção. Estes são os mais comuns para quem enfrenta raiva:
- Trânsito, filas e atrasos
- Cansaço, fome ou noites mal dormidas
- Sentir-se desrespeitado ou ignorado
- Críticas, mesmo quando têm razão
- Discussões com o cônjuge ou com a família
- Pressão e prazos no trabalho
- Lembranças de injustiças antigas
- Notícias e discussões nas redes que provocam indignação
O que costuma ajudar
- Pedir um tempo antes de responder numa discussão
- Não responder mensagens quando estiver com raiva
- Cuidar do sono e não ficar muitas horas sem comer
- Conversar sobre o problema mais tarde, com calma
- Sair mais cedo para não ficar com pressa no trânsito
- Procurar ajuda de um conselheiro ou de um psicólogo
Na hora mais difícil: o que fazer agora
Um roteiro para os próximos minutos, o mesmo do botão Preciso de ajuda agora. Em crise ou pensando em se machucar, ligue para o CVV 188 (24 horas, gratuito). Em emergência, ligue 192 (SAMU).
Pare
Não diga nada agora e não aperte enviar. Fique em silêncio por um instante e abra as mãos. Respire devagar: puxe o ar contando até quatro e solte contando até seis. Repita três vezes.
Afaste-se
Afaste-se fisicamente: dê alguns passos para trás, saia do cômodo ou, se estiver dirigindo, pare o carro num lugar seguro.
Lembre
Você não precisa responder agora. Respirar e esperar também é uma resposta.
Palavra
Detém a ira, abandona o furor; não te irrites de maneira alguma para fazer o mal.
Salmos 37:8 Ore
Senhor, eu estou com muita raiva e tenho vontade de explodir. Acalma o meu coração e segura a minha língua. Não quero ferir ninguém nem dizer algo de que vou me arrepender. Dá-me a tua paz agora e sabedoria para agir com calma depois. Em nome de Jesus, amém.
Aja
Escolha uma destas ações e faça agora:
- Saia do ambiente por alguns minutos, dizendo apenas: "Preciso de um tempo, depois a gente conversa."
- Respire devagar: puxe o ar contando até quatro, segure por quatro e solte contando até seis. Repita cinco vezes.
- Não envie mensagens nem responda a ninguém pela próxima meia hora. Escreva num papel o que está sentindo, sem mandar para ninguém.
Como é um dia: o Dia 1
Este é o primeiro dia da jornada, do jeito que aparece quando você começa.
Uma pergunta honesta
Palavra
4E o SENHOR lhe disse: É correta essa tua ira?
Reflexão
O profeta Jonas ficou com muita raiva quando Deus decidiu perdoar a cidade de Nínive. Ele queria ver aquele povo castigado. Em vez de dar uma bronca, Deus fez uma pergunta: "É correta essa tua ira?" Não foi uma acusação. Foi um convite para Jonas olhar para dentro e entender o que estava sentindo.
Essa pergunta é um bom começo para esta jornada. Muitas vezes, a raiva toma conta tão rápido que a gente nem pensa sobre ela. Explode, fala alto, bate a porta, manda uma mensagem dura, fica dias sem falar com alguém. Depois, vem o arrependimento, ou então a justificativa: "mas ele mereceu", "foi ela que começou".
Sentir raiva faz parte da vida humana. Ela aparece quando algo nos fere, nos ameaça ou parece injusto. O problema não é sentir, e sim o que fazemos com o sentimento e o quanto ele passa a mandar nas nossas atitudes.
Hoje, você não precisa resolver nada. O convite é apenas olhar com honestidade para a sua raiva, como Deus convidou Jonas a fazer. Quando ela aparece? Com quem? Como ela se mostra: em gritos, em silêncio, em palavras ferinas, em rancor guardado? Conhecer a própria raiva é o primeiro passo para que ela deixe de comandar.
Ação
Pense nas três últimas vezes em que você sentiu muita raiva. Para cada uma, escreva num papel: o que aconteceu, com quem foi, o que você fez naquele momento e como se sentiu depois. Não se julgue: apenas observe. Depois, leia o que escreveu e responda à pergunta que Deus fez a Jonas, com sinceridade, para cada uma das situações.
Oração
Senhor, assim como perguntaste a Jonas, eu quero olhar com honestidade para a minha raiva. Tu conheces as vezes em que explodi, as palavras duras que falei e o rancor que guardei. Não quero me esconder nem me justificar. Ajuda-me a entender o que acontece dentro de mim quando a raiva aparece. Que esta jornada me aproxime de ti e me ensine a viver com mais paz. Obrigado porque tu me olhas com paciência. Em nome de Jesus, amém.